
Sabemos que hoje é um pouco diferente e que tem surgido muitas bandas femininas (ainda bem!). Mas,um forte sentimento machista aindase faz presente em relação à bandas de mulheres.Mesmo existindo muitos homens que apóiam e dão força às bandas femininas, a idéia de que as mulheres nos shows só servem para segurar as mochilas de seus namorados enquanto eles pogam ainda tem grande expressão.
Talvez, as minhas palavras possam parecer um pouco saturadas aqui, um discurso, digamos, já por demais "batido"... mas, eu realmente penso que em um mundo ideal não era isso que deveria importar: o gênero, o fato de ser homem ou mulher, mas sim a música, o talento, a atitude. Somente essas coisas deveriam fazer diferença. Mas a realidade não é assim, e nós sabemos disso. O papel da mulher dentro do rock tem sido "secundário", pelo menos no senso comum. Sua posição é só de admiradora ou espectadora, nada além disso. O rock, infelismente, ainda é muito percebido como "coisa de homem". Lembro até de ter lido em alguma coisa (que agora realmente não me recordo) que a própria guitarra elétrica possuia a forma de um simbolo fálico (só vim prestar atenção neste detalhe depois que li. hahahaha), o que, se for verdade, só reforça que toda a atitude do rock é realmente voltada para os homens.


As canções daquela época iam além do rapaz-quer moça, moça-não-quer-rapaz, rapaz-traí-moça, moça-afoga-se-em-lágrimas. Os títulos dizem muito bem da temática das canções. Em português mesmo: "Foi ele" - Ronettes, “Se há alguma coisa mais que você queira (me deixe saber)” - Roddie Joy, “Por favor, não me acorde” - The Cinderellas, “Sábado à noite não rolou” - Reparata & The Delrons, “Vou destruir aquele garoto” - The What Fours, “Papai, você tem que deixar ele entrar” - The Satisfactions, “Como vou contar pra painho e mainha” - The Lovellites, ou “Não vejo a hora de ver a cara do meu bem” - Syreeta Wright, e ainda “Nunca ensinaram isto na escola” - Gayle Harris.
A aparente inocência dos títulos e letras, nas entrelinhas, identificavam novos tipos de relacionamentos entre garotos e garotas. Elas tomavam as rédeas, mesmo quando se mostravam frágeis. O sexo não é cantado abertamente, está nas entrelinhas, como nos casos de Condition red (menstruação?), I’d much be with the girls, (lesbianismo?), Will love me tomorrow? (a eterna pergunta que as garotas se fazem no dia seguinte).
Embora todos estes grupos tenham acabado e, a maioria esquecidos háalgumas décadas, seus discos não ficaram datados. Grande parte conserva o frescor de música recém-gravada. Uniam muita energia, alegria, inocência, uma pitada de malícia, grande e inovadores arranjos.
(To be continued...)